Criptomoedas

Taxas de rede em criptomoedas: gas, mempool e custo de transação

Por que mandar o mesmo valor custa centavos num dia e vários dólares no outro. Como funcionam as taxas no Bitcoin e no Ethereum e como estimar o custo antes de enviar.

7 min de leituraPor TIS Tecnologia
Ilustração de uma bomba de combustível representando o gas, com ampulheta, rede e moedas

No sistema bancário, a tarifa de uma transferência costuma ser fixa ou proporcional ao valor. Em criptomoedas, a lógica é outra: a taxa paga para a rede depende de quanto espaço a sua transação ocupa e de quantas outras pessoas querem usar a rede ao mesmo tempo. Por isso mandar o mesmo valor pode custar centavos em um dia e vários dólares no outro.

Por que existe taxa de rede

Cada bloco de uma blockchain tem capacidade limitada. Quem produz os blocos — mineradores no Bitcoin, validadores no Ethereum — precisa escolher quais transações incluir. A taxa funciona como um leilão: transações que oferecem mais tendem a entrar antes. Ela também remunera quem mantém a rede funcionando e dificulta que alguém congestione a rede com transações inúteis.

A fila: mempool

Transações enviadas e ainda não incluídas em um bloco ficam em uma espécie de sala de espera chamada mempool. Quando há muita gente transacionando ao mesmo tempo — por causa de uma forte oscilação de preço ou do lançamento de um projeto popular —, a fila cresce e a taxa necessária para entrar rápido sobe. Quando a rede está calma, taxas baixas bastam.

Como funciona no Bitcoin

No Bitcoin, a taxa é medida em satoshis por byte virtual (sat/vB). Um satoshi é a menor fração do bitcoin, um centésimo de milionésimo. O custo final depende do tamanho da transação em bytes, não do valor enviado.

Taxa total = tamanho da transação (vB) × taxa escolhida (sat/vB)

Isso tem uma consequência curiosa: enviar 0,001 BTC pode custar mais do que enviar 10 BTC, se a primeira transação usar muitas entradas pequenas — por exemplo, várias pequenas quantias recebidas em momentos diferentes — e a segunda usar uma só. Carteiras costumam oferecer opções de prioridade (lenta, normal, rápida) e calculam a taxa automaticamente.

Se uma transação ficar presa por taxa baixa, algumas carteiras permitem substituí-la por outra com taxa maior, um recurso conhecido como RBF (*replace-by-fee*).

Como funciona no Ethereum

No Ethereum, a unidade de trabalho se chama gas. Cada operação consome uma quantidade de gas: uma transferência simples de ETH usa 21.000 unidades; interagir com um contrato inteligente, como uma troca de tokens, consome bem mais. O preço de cada unidade é cotado em gwei, um bilionésimo de ETH.

Taxa total = gas consumido × (taxa base + gorjeta de prioridade)

Desde uma atualização de 2021, o preço do gas tem duas partes. A taxa base é definida pelo protocolo conforme a ocupação dos blocos e é destruída, saindo de circulação. A gorjeta de prioridade vai para o validador e serve para passar na frente. Uma transação que falha — por exemplo, por falta de saldo para concluir uma operação em um contrato — ainda consome o gas usado até o ponto da falha.

OperaçãoGas aproximadoObservação
Transferência simples de ETH21.000Valor fixo de protocolo
Transferência de token ERC-20Dezenas de milharesVaria conforme o contrato
Troca em corretora descentralizadaMais de 100 mil, em geralDepende da rota e do contrato
Ordens de grandeza indicativas; o consumo real depende do contrato e do momento.

Redes de segunda camada

Para baratear transações, surgiram as redes de segunda camada: sistemas que processam muitas transações fora da rede principal e registram nela apenas um resumo. No Ethereum, os chamados *rollups* reduzem muito o custo por transação; no Bitcoin, a Lightning Network permite pagamentos pequenos e rápidos. A contrapartida é mais complexidade: é preciso mover os fundos para a segunda camada e entender como sair dela.

Taxa de rede não é taxa de saque

Ao sacar criptomoedas de uma corretora, a tarifa cobrada é definida pela corretora, e não necessariamente igual à taxa de rede do momento. Algumas cobram um valor fixo por ativo, que pode ser maior ou menor do que o custo real. Além disso, a mesma moeda pode ser sacada por redes diferentes, com custos muito distintos — e escolher a rede errada pode significar perder o valor, se o destino não suportar aquela rede.

Como estimar o custo antes de enviar

  1. Confira em qual rede o ativo será enviado e se o destino aceita essa rede.
  2. Veja a estimativa de taxa que a carteira ou a corretora mostra antes de confirmar.
  3. Lembre-se de ter saldo da moeda nativa da rede para pagar a taxa, se estiver enviando um token.
  4. Se não houver pressa, considere esperar um horário de menor congestionamento.
  5. Para valores pequenos, compare a taxa com o próprio valor: às vezes ela consome uma parte grande da quantia enviada.

A taxa de rede é um custo real, que não aparece no preço exibido pelos conversores. Quem compara o preço de referência de um ativo com o que efetivamente chega à carteira precisa somar essa taxa ao spread e às tarifas da plataforma. Para entender a base de tudo isso, leia o que é blockchain.

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