Criptomoedas

Altcoins e tokens: qual a diferença

Moeda nativa de uma rede, token emitido sobre outra rede, stablecoin, memecoin. Uma classificação prática para entender o que está por trás de cada nome da lista.

6 min de leituraPor TIS Tecnologia
Ilustração de moedas e tokens com camadas, etiqueta e brilho

Quem olha a lista das maiores criptomoedas encontra nomes muito diferentes entre si: o Bitcoin, redes como Ethereum e Solana, moedas atreladas ao dólar, tokens de aplicativos e até ativos criados como piada. Chamar tudo de “criptomoeda” esconde diferenças importantes. Este guia propõe uma classificação prática para entender o que está por trás de cada item da lista.

Altcoin: tudo o que não é Bitcoin

O termo altcoin vem de *alternative coin* e surgiu para designar as moedas criadas depois do Bitcoin, como alternativas a ele. Hoje é usado de forma ampla para qualquer criptoativo que não seja o Bitcoin. É uma categoria por exclusão, e por isso diz pouco: dentro dela cabem projetos com propósitos e riscos completamente diferentes.

Moeda nativa versus token

A distinção técnica mais útil é entre moedas nativas e tokens.

Moeda nativaToken
Onde existeNa própria blockchain, como parte das regras da redeSobre outra blockchain, criado por um contrato inteligente
Função típicaPagar taxas de rede e remunerar quem validaRepresentar um ativo, um direito, um uso em aplicativo
Quem criaO protocolo da redeQualquer pessoa ou empresa que publique o contrato
ExemplosBTC no Bitcoin, ETH no Ethereum, SOL na SolanaStablecoins como USDT e USDC, tokens de aplicativos

Para enviar um token na rede Ethereum, por exemplo, você paga a taxa de rede em ETH, a moeda nativa, e não no próprio token. Esse detalhe pega muitos iniciantes de surpresa: ter saldo em um token sem ter um pouco da moeda nativa da rede impede a transferência. Veja taxas de rede em criptomoedas.

Tokens seguem padrões técnicos que permitem que carteiras e plataformas os reconheçam. No Ethereum, o padrão mais comum para tokens intercambiáveis é o ERC-20. Outras redes têm padrões equivalentes. O mesmo token pode existir em mais de uma rede, o que exige atenção ao enviar.

Uma classificação por função

  • Moedas de pagamento ou reserva de valor: propõem funcionar como dinheiro digital ou como reserva. O Bitcoin é o exemplo central.
  • Moedas de plataforma: são a moeda nativa de redes que executam contratos inteligentes e aplicativos, como Ethereum e Solana.
  • Stablecoins: tokens que buscam manter paridade com uma moeda tradicional, normalmente o dólar. O tema tem guia próprio: stablecoins e o dólar digital.
  • Tokens de utilidade: dão acesso a um serviço ou funcionalidade de um aplicativo específico.
  • Tokens de governança: permitem votar em decisões de um protocolo.
  • Memecoins: criados a partir de piadas ou fenômenos de internet, sem proposta de utilidade além da comunidade e da especulação.
  • Tokens de exchange: emitidos por corretoras, normalmente com descontos ou benefícios na própria plataforma.

As categorias se sobrepõem e mudam com o tempo. Um token de utilidade pode ganhar função de governança; uma memecoin pode ganhar aplicações. A classificação ajuda a fazer a pergunta certa: de onde viria o valor deste ativo?

Riscos que variam conforme o tipo

TipoRiscos característicos
Moedas nativas grandesVolatilidade alta; dependência de adoção e de segurança da rede
StablecoinsQualidade e transparência das reservas; risco do emissor; regulação
Tokens de aplicativoDependência do sucesso de um único projeto; concentração entre fundadores
MemecoinsVolatilidade extrema; liquidez que pode desaparecer; manipulação
Tokens novos e pequenosContratos maliciosos, golpes de saída, cópias com nome parecido

Qualquer um pode criar um token

Criar um token em uma rede de contratos inteligentes é tecnicamente simples e barato. Isso permite inovação, mas também explica por que existem milhares de tokens com pouca ou nenhuma utilidade e por que golpes com tokens de nome parecido são frequentes. O nome e o símbolo não identificam um token de forma única; o que o identifica é o endereço do contrato na rede em que ele existe.

Perguntas para entender um ativo

  1. É moeda nativa de uma rede ou token emitido sobre outra rede?
  2. Qual problema ele diz resolver e quem usa isso hoje?
  3. Quem controla a emissão e quanto da oferta está concentrado em poucas carteiras?
  4. Há quanto tempo existe e em quais plataformas é negociado?
  5. Qual o volume diário em relação à capitalização? Veja market cap e volume.

A lista de criptomoedas de um agregador é uma mistura de coisas muito diferentes ordenadas por um único critério, o tamanho. Saber em que categoria cada uma se encaixa é o primeiro passo para não tratar como equivalentes ativos que não têm nada em comum.

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